Introdução

Considerando uma expressão idiomática (EI) como uma sequência polilexical, figurada e cristalizada pela tradição cultural de uma comunidade linguística, propomos verbetes em que a entrada consta sempre em português brasileiro (PB), com definição, informações complementares, exemplos, indicação de sinonímia, e seus equivalentes em português europeu (PP), francês hexagonal (FF), francês belga (FB) e canadense (FC).

Natureza deste dicionário

  • semasiológico porque parte das EIs (as unidades significantes) como entradas e apresenta em seguida suas significações, leus sentidos;
  • analógico porque reúne expressões sinônimas (as que têm uma relação de similaridade visto que o sentido dos sinônimos em PB ou dos equivalentes em PP, FF, FB e FC é similar ao da entrada, numa analogia mais estreita ou apenas próxima);
  • e eletrônico, o que permitirá sua periódica ampliação e atualização dos dados, bem como várias interfaces de busca.

Objetivo

Nossa intenção com este dicionário é elaborar uma obra que testemunhe, seja para a função de decodificação, seja para a de codificação, o uso dessas unidades fraseológicas, cuja cristalização é um fenômeno gradual, justamente porque se detectam elementos variáveis. Por isso pode-se fala mais propriamente em semi-cristalização.
Inédito por apresentar as EIs dessas duas línguas e variantes e inédito pela estruturação visual proposta, esta obra poderá responder às expectativas de aprendizes profesores, tradutores e pesquisadores interesados pelo uso das expressões e seus equivalentes em português e francês. Além disso, seu acesso on-line favorecerá sua divulgação junto à comunidade francófona e lusófona.

Nomenclatura e equivalentes

As Els foram primeiramente coletadas em fontes secundárias (termo proposto por HAENSCH et al., 1982, em contraposição a fontes primárias que seriam os documentos autênticos e os corpora): cerca de 30 dicionários de língua ou especiais, mono ou bilíngues. Todas as expressões nas duas línguas e suas variantes respeitam um limiar mínimo de frequência, uma ocorrência por milhão de palavras medida por página da web (segundo as sugestões de COLSON 2003, 2007), sendo a web considerada como corpus linguístico (de acordo com KILGARRIFF e GREFENSTETTE, 2003). Partindo desses princípios, para que uma EI seja tida como usual em uma língua, ela deve satisfazer aos limiares seguintes:
- 56 ocorrências para o PB, em site:br
- 14 para o PP, em site:pt
- 157 para o FF, em site:fr
- 19 para o FB, em site:be
- e 07 para o FC, em site:ca

Ressaltamos ainda que as preposições obrigatórias ou muito frequentes constam na entrada de cada artigo e em cada equivalente.

As classes gramaticais
Os equivalentes seguem estritamente a classe gramatical da entrada. A uma sequência verbal (SV) como entrada em PB correspondem equivalentes SV nas outras línguas; a uma sequência nominal (SN), estarão associados equivalentes que pertencem à classe dos SN; se uma sequência estiver em função adjetiva (SAdj) em PB, seus equivalentes pertencerão à classe SAdj; e para as entradas que são sequências adverbiais (SAdv), os equivalentes PP, FF e FC pertencerão à mesma classe.

A definição
A cada EI em PB segue uma definição parafrásica, simples e curta. No caso dass entradas polissêmicas, cada définitio ou sentido é numerado. Mas as entradas homonímicas são distribuídas em artigos separados.

As informações complementares
Abaixo da definição, acrescentamos entre colchetes observações que nos parecem úteis para o usuário do dicionário, seja uma marca de nível de linguagem ou de valor de significação, seja uma nota em relação à origem ou à motivação criadora da expressão, seja ainda alguma restrição sintática.

  • Os níveis de linguagem: consideramos os níveis coloquial (que implica uma proximidade entre locutores, autorizando-os a transgredir certas regras na interlocução) e padrão como específicos das EIs. Por essa razão, eles não são informados nas entradas. Em contrapartida, os registros culto (busca por um nível de purismo, de elegância e vulgar (emprego de unidades lexicais grosseiras ou que apresentam conotação de caráter indecoroso) são indicados, assim como o coloquial distenso (intermediário entre o coloquial e o vulgar). Do mesmo modo cada equivalente recebe uma indicação de nível quando este for distinto do nível da entrada.
  • As marcas de valor: as acepções intensivas (sentidos mais fortes em intensidade), irônicas (sentidos que revelam depreciação, utilizando mitas vezes a antífrase), eufemísticas (sentidos que apresentam certo atenuação), melhorativas (sentidos que implicam uma percepção favorável ou elogiosa) e pejorativas (sentidos que implicam, ao contrário da acepção anterior, uma percepção desfavorável, degradante ou depreciativa) são indicadas especialmente porque elas são pertinentes para la função de codificação ou de produção textual que este dicionário também pretende favorecer.
  • A origem: notamos que as origens hipotéticas ou supostas são abundantes no universo fraseológico, por isso restringimos a explicitação das origens supostas mais confiáveis (sobretudo quando há uma relação histórica à qual a EI se vincula) ou do que diz respeito aos domínios que motivaram a criação da expressão (como Biologia, História, Religião etc.).
  • As restrições sintáticas: as restrições de sujeito ou complementos ou de combinatórias verbais, para os SN, SAdj ou SAdv, compõem também um tipo de dados inseridos nas informações complementares.

Os exemplos
Eles são todos extraídos da web com a indicação do endereço e data de consulta.

Sinonímia
Se a EI da entrada possui uma ou várias outras expressões de sentido similar, estas são indicadas em ordem alfabética (por exemplo: acertar na mosca e acertar no alvo são sinônimos que constam na entrada acertar em cheio), mas estes equivalentes figuram apenas no verbete da primeira EI do paradigma alfabético (nas entradas acertar na mosca ou acertar no alvo, remetemos o usuário à entrada acertar em cheio, a primeira em ordem alfabética).

 

Referências Bibliográficas

 

CAMACHO, B. F. Estudo comparativo de expressões idiomáticas do português do Brasil e de Portugal e do francês da França e do Canadá. São José do Rio Preto, 2008. Dissertação (Mestrado em Linguística) - IBILCE, Universidade Estadual Paulista.

COLSON, J-P. Corpus linguistics and phraseological statistics: a few hypotheses and examples. In: BURGER, H., HÄCHI BUHOFER, A., GRÉCIANO, G. (eds.). Flut von texten - vielfalt der kulturen. Ascona 2001 zu Methodologie und kulturspezifik der phraseologie. Baltmannsweiler:  Schneider  Verlag Hohengehren, p. 47-59, 2003.

COLSON, J-P. The World Wide Web as a corpus for set phrases. In: BURGER, H., DOBROVOL'SKIJ, D., KÜHN, P., NORRICK, N. (eds.). Phraseologie / Phraseology.  Berlin, New York: Mouton de Gruyter, p. 1071-1077, 2007.

HAENSCH, G. et al. La Lexicografia: de la Lingüística teórica a la Lexicografia práctica. Madrid: Gredos, 1982.

KILGARRIFF, A.; GREFENSTETTE, G. Introduction to the special issue on the Web as Corpus, Computational Linguistics, 29(3), 333-347, 2003.

RIVA, H. C. Dicionário onomasiológico de expressões idiomáticas usuais na língua portuguesa do Brasil. São José do Rio Preto, 2009. Tese (Doutorado em Linguística) - IBILCE, Universidade Estadual Paulista.

XATARA, C. Dictionnaire électronique d'expressions idiomatiques français-portugais / portugais-français. ATILF/CNRS: Nancy, 2007. Disponible sur www.cnrtl.fr/dictionnaires/expressions_idiomatiques.

XATARA, C., OLIVEIRA, W. L. Novo PIP - Dicionário de provérbios, idiomatismos e palavrões em uso francês-português / português-francês. São Paulo: Cultura, 2008. 800 p.
 

Sobre a definição de EI

XATARA, C. "O resgate das expressões idiomáticas". Alfa : Revista de Linguística, 38, 195-210, 1995.
 

Sobre a cristalização e a fraseografia

BLANCO, X., MORENO, M. D. "Lemmatisation, agencement et catégorisation des lexies complexes dans la lexicographie bilingue français-espagnol, en P. Fiala, P. Lfon, M-F Miguets (Eds.) La locution: entre lexique, syntaxe et pragmatique, Publication de l'Inalf, coll. "Saint-Cloud", Paris, Klincksieck, 173-181, 1997.

GROSS, M. Les phrases figées en français, L'information grammaticale, 59, Paris, 1993.
MEJRI, S. "Le figement lexical : nouvelles tendances". Cahiers de lexicologie, 80 , pp. 213-225, 2002.

PETIT, G. "Figement lexical et lemmatisation : les locutions de type SV", Cahiers de Lexicologie, 82, InaLF-CNRS, Paris, Didier Erudition, 2003.

PETIT, G. "La dénomination des genres discursifs : contraintes linguistiques et pragmatique". In MEJRI Salah, (ed), A la croisée des mots. Hommages à Taïeb Baccouche, 247-278. Université de Sousse ; Université Paris 13. Sousse ; Villetaneuse, 2007.

Sobre a web como corpus

COLSON, J-P. Towards computational phraseology. The project of an idiom concordancer. In: Häcki-Buhofer, Annelies; Burger, Harald (Hrsg.): Phraseology in Motion 1. Methoden und Kritik. Baltmannsweiler (Schneider Verlag Hohengehren) 2006 ( = Phraseologie und Parömiologie. 19), S. 21-32.

EVANS, D.; GREFENSTETTE, G.; VAN GENT, J.; VOSSEN, P. The multi-lingual web. Disponível em: . Acesso em: 01/01/2004.

GREFENSTETTE, G., NIOCHE, J. Estimation of english and non-english language use on the www. Proc. RIAO 2000, Content-Based Multimedia Information Access, pages 237- 246, 2000.

UNIÃO LATINA. La place du français dans l'internet. Disponível em: . Acesso em: 01/05/2007.
 

Sobre a origem das EIs em PB

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PIMENTA, R.  A casa da mãe Joana. Rio de Janeiro: Campus.

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